SHIFT: A Plataforma de Agentes Autônomos da CERC
← Voltar para Artigos

SHIFT: A Plataforma de Agentes Autônomos da CERC

TL;DR

  • SHIFT é a plataforma da CERC que orquestra agentes de IA autônomos para tarefas de codificação
  • Agentes recebem tarefas em linguagem natural e entregam pull requests, revisões de código e documentação
  • Roda em Google Cloud Run com modelos Claude (Anthropic) via Vertex AI
  • Criamos a métrica HDE (Human Developer Equivalent): mede o custo de IA em minutos-equivalentes de desenvolvedor
  • Diversas squads já estão usando e PRs dos agentes já estão em produção

Codificação assistida por IA já virou commodity. Autocompletar inteligente, chat integrado ao editor, geração de trechos de código — tudo isso está disponível para qualquer time de engenharia. Mas existe uma diferença fundamental entre assistir um desenvolvedor e executar uma tarefa de forma autônoma.

Na CERC, decidimos não esperar por uma solução pronta do mercado. Construímos a nossa própria plataforma de agentes autônomos de codificação. Chamamos de SHIFT.


Por que “SHIFT”?

O nome não é acidental. SHIFT carrega o conceito de shift-left — a prática de antecipar etapas do ciclo de desenvolvimento, trazendo qualidade, testes e análise para o início do processo. Mas na CERC, levamos esse conceito além.

Para que um agente autônomo execute uma tarefa com qualidade, o engenheiro que a descreve precisa exercitar habilidades fundamentais: pensamento analítico, decomposição de problemas e resolução estruturada. A descrição da tarefa precisa ser clara, precisa e com intenção bem definida — caso contrário, o agente não produz um bom resultado.

O Mindset SHIFT

Decomposição

Quebrar problemas complexos em partes executáveis

Clareza de intenção

Descrever o que precisa ser feito com precisão

Pensamento analítico

Analisar contexto, dependências e impacto

Essa mudança de mentalidade é um dos pilares da estratégia de IA da CERC. Não estamos adotando IA apenas como assistente — estamos integrando agentes autônomos ao DNA da engenharia. Cada engenheiro que aprende a descrever tarefas para o SHIFT está, na prática, se tornando um engenheiro melhor: mais analítico, mais estruturado, mais preciso na comunicação técnica.

IA na CERC não é uma ferramenta lateral. É parte de como construímos software.


O que é o SHIFT?

SHIFT é uma plataforma de orquestração que delega tarefas de codificação a agentes de IA autônomos. Mas o SHIFT não é apenas uma ferramenta acionada por humanos — ele se integra ao ecossistema de engenharia da CERC como um participante ativo.

Tarefas podem ser disparadas por múltiplas fontes:

  • Interface web — engenheiros criam tarefas descrevendo a intenção em linguagem natural
  • Eventos — webhooks e integrações reagem a eventos do ecossistema (ex: novo PR aberto, alerta disparado)
  • Agendamento — tarefas recorrentes executam em horários programados (ex: auditoria de dependências toda segunda)
  • Pipelines — etapas de CI/CD invocam agentes como parte do fluxo de entrega

Não importa a origem: o Orchestrator recebe a intenção, seleciona o agente adequado, provisiona um ambiente isolado e entrega o resultado — um pull request, uma revisão de código, ou documentação atualizada.

A plataforma roda em Google Cloud Run e utiliza modelos Claude da Anthropic via Vertex AI como motor de raciocínio dos agentes.


Arquitetura

SHIFT PLATFORM ARCHITECTURE TRIGGERS Task UI Manual task creation Events / Webhooks PR events, alerts, signals Schedules Cron-based recurring CI/CD Pipelines Pipeline stage trigger Orchestrator Agent selection Model & tool config Job lifecycle API & queue routing Google Cloud Run Agent Runtime Ephemeral containers · N parallel 1. Clone & Branch 2. Execute Claude 3. Produce artifact Distributed · Zero local resources OUTPUT Pull Request Ready for review Review / Docs Comments & docs OBSERVABILITY Agent Broker Real-time state broker · WebSocket · Event sourcing Streams all agent events Dashboard Monitoring · Analytics · The Office (pixel-art) Pixel-art agent office Google Cloud Run Claude via Vertex AI Git · CI/CD Pipelines
ORC

Orchestrator

Ponto central de controle. Recebe tarefas de qualquer fonte (UI, eventos, schedules, pipelines), seleciona o tipo de agente, configura modelo e ferramentas, e lança o job no runtime.

AGT

Agent Runtime

Containers efêmeros e distribuídos — um por tarefa, N em paralelo. Rodam inteiramente na nuvem: nenhum recurso da máquina do desenvolvedor é consumido, nenhuma aprovação ou permissão local é necessária. O agente clona o repositório, cria branch, executa o Claude e produz o artefato.

BRK

Agent Broker

Broker de estado em tempo real. Coleta eventos de todos os agentes via event sourcing e distribui por WebSocket. Permite observar cada agente a qualquer momento.

DSH

Dashboard

Interface de monitoramento, analytics e controle de consumo. Inclui The Office — visualização pixel-art dos agentes em tempo real — e métricas detalhadas por tarefa.


Agentes sob medida: os Shifties

Os agentes do SHIFT não são genéricos. Cada um tem um propósito específico, um modelo configurado, um conjunto de ferramentas e um modo de saída definido. Internamente, chamamos esse conceito de “alma” do agente — o que define quem ele é e como ele opera.

</> Criadores de PRs

Implementam funcionalidades, corrigem bugs e executam refatorações — entregando pull requests prontos para revisão.

Revisores de Código

Analisam pull requests existentes e deixam comentários com sugestões de melhoria, padrões e possíveis problemas.

Geradores de Documentação

Produzem ou atualizam documentação técnica a partir do código, mantendo docs e código sincronizados.

A flexibilidade de modelo é intencional. Nem toda tarefa precisa do modelo mais caro ou mais capaz. O SHIFT permite escolher o modelo certo para cada tipo de tarefa, otimizando o equilíbrio entre custo e qualidade.


The Office — Monitorando agentes em tempo real

Quando você tem vários agentes autônomos trabalhando simultaneamente, observabilidade não é um luxo — é uma necessidade. Você precisa ver o que eles estão fazendo.

O SHIFT inclui um dashboard de monitoramento em tempo real chamado The Office. O conceito é um escritório isométrico em pixel art, onde cada agente aparece como um sprite animado sentado em uma mesa virtual.

The Office - Dashboard de monitoramento de agentes em tempo real

Idle Working Thinking Completed Error

Além da visualização, há um feed de eventos em tempo real mostrando o progresso de cada tarefa. É como ter um chão de fábrica digital onde você pode acompanhar toda a operação de um relance.

Para sistemas autônomos, a capacidade de monitorar e intervir é tão importante quanto a capacidade de executar.


HDE — Human Developer Equivalent

Uma das perguntas mais comuns sobre agentes de IA é: “Quanto tempo isso economiza?”

O problema é que estimar a duração de uma tarefa de desenvolvimento é inerentemente subjetivo. Dois engenheiros darão estimativas diferentes para a mesma tarefa. A métrica “tempo economizado” acaba sendo baseada em um chute comparado a um valor real.

O SHIFT aborda isso de forma diferente. Em vez de estimar a tarefa, medimos o custo.

A Fórmula

HDE = Custo de IA / Custo/hora do Dev

Resultado em minutos equivalentes de desenvolvedor

Exemplo prático

Custo em tokens de IA R$ 12,50
Custo médio/hora do dev R$ 125,00
HDE = 6 minutos

A tarefa custou o equivalente a 6 minutos de um desenvolvedor humano.

Objetividade

Custo de tokens é dado concreto, não estimativa

Reprodutibilidade

Mesmo cálculo para qualquer tarefa

Sem viés

Elimina sub/superestimativas humanas

Configurável

Cada time define seu custo/hora

O HDE inverte a pergunta. Em vez de “quanto tempo isso levaria?”, perguntamos “quanto isso custou em relação a um humano?”. É uma métrica simples, objetiva e comparável.


Segurança por design

Dar autonomia a agentes de IA em repositórios de código de produção exige uma postura de segurança rigorosa. O SHIFT foi projetado com essa premissa desde o início.

Cada agente roda em um container efêmero e isolado — sem acesso à rede interna, sem credenciais persistentes, sem permissão de escrita além do repositório designado. Quando a tarefa termina, o container é destruído. Não há estado residual, não há superfície de ataque remanescente.

Além do isolamento, a plataforma passou por testes de segurança dedicados antes de entrar em produção: análise de superfície de ataque, validação de controles de acesso, revisão de permissões em integrações com repositórios e pipelines, e testes de injeção de prompt nos agentes. A segurança do SHIFT não é uma camada adicionada depois — é parte da arquitetura.

Para o desenvolvedor, isso significa uma experiência sem atrito: não é necessário instalar nada localmente, não há aprovações ou permissões especiais para usar a plataforma, e a máquina do engenheiro permanece completamente intacta. O agente trabalha na nuvem, entrega o resultado, e desaparece.


Realidade de produção

O SHIFT não é um protótipo. Está em produção.

Casos de uso já em operação:

Implementação de funcionalidades em múltiplos repositórios

Revisão automatizada de código em pull requests

Geração e atualização de documentação técnica

Investigação e correção de bugs

Refatoração entre repositórios

O caminho pela frente envolve intensificar o uso, expandir o catálogo de agentes e integrar o SHIFT ao ecossistema mais amplo de IA da CERC.


O que o SHIFT representa

O SHIFT é a materialização do compromisso da CERC com inovação em engenharia. Não construímos agentes para substituir desenvolvedores — construímos para amplificá-los.

Agentes autônomos liberam engenheiros para focar nos problemas mais complexos e criativos, enquanto tarefas bem definidas são executadas de forma confiável, rastreável e com custo mensurável.

Em posts futuros, vamos compartilhar casos de uso específicos, lições aprendidas e detalhes técnicos de como o SHIFT evoluiu desde a primeira versão.


Este post foi escrito por: Allan Martins | COE - Arquitetura.